Karolinka relembra momentos na Polônia e faz planos para o futuro

De volta para casa, o Grupo Folclórico de São Mateus do Sul faz o balanço da experiência vivida durante turnê na Polônia, com vistas ao futuro da cultura polonesa no Brasil

No início de agosto, o Grupo Karolinka retornava para São Mateus do Sul após uma turnê de quase vinte dias pela Polônia. O retorno foi marcado por emoção e alegria. Já era madrugada quando os familiares e amigos se reuniram no centro da cidade, em frente ao Hotel Dom Leopoldo para celebrar a volta para casa dos dançarinos que representaram o município e o folclore brasileiro na Polônia. Teve música polonesa, animação e muita emoção.

Michalina Kovalski, aos 91 anos, fez questão de esperar o neto Micael, que fez parte da turnê, tocando músicas polonesas no pandeiro, acompanhada dos filhos e do neto. Essa foi só uma parte da animação que marcou a volta para a casa.

A receptividade representa a satisfação em receber os são-mateuenses que levaram o nome da cidade para o Festival de Folclore de Rzeszów – o mais importante encontro de grupos folclóricos poloneses, que reuniu 32 grupos, de 11 países.

Agora, os integrantes fazem o balanço das experiências vividas na Polônia e sonham com os próximos passos do grupo.

O coordenador geral do grupo, Irio Janoski, não economiza elogios e agradecimentos por essa realização. “É uma coisa fora de série, o festival é muito bom e bem organizado. É também um choque cultural porque você encontra com grupos de outros países que representam a mesma etnia que nós brasileiros e ali se fala a mesma língua, que é a dança”, explica Irio.

Durante os dias em que acontece o festival, a comunidade da região de Rzeszów realmente vivencia toda a beleza e a riqueza cultural proporcionada por esse evento grandioso, que reúne as principais autoridades polonesas. Isso ficou bem claro especialmente quando o grupo se apresentou na aldeia de Krzemienice, onde foram recebido com carinho excepcional,  que marcou os jovens brasileiros.

“É um povo humilde, que nunca tinha ouvido falar que havia poloneses no Brasil. E eles choraram de satisfação e alegria por ver um povo de um país tão distante falando polonês e dançando o folclore polonês”, recorda Irio.

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Brasileiros e poloneses

Poder representar o seu país no festival que reuniu grupos de diversos países, foi motivo de orgulho. Estar no festival entre dançarinos do mundo todo diante da bandeira brasileira, levou os dançarinos ao choro.

A mistura da sensação de pertencer ao mesmo tempo à comunidade polônica e ao Brasil foi sentida pela coordenadora do grupo, Iris Janoski, que juntamente com o coreógrafo do grupo, Rafael Guimarães, levou a bandeira do Brasil ao palco do Festival de Folclore.

“Que emoção colocar a bandeira do Brasil e vê-la subindo ao som do Festival. Ali, várias coisas passaram em minha cabeça, desde a trajetória dos imigrantes poloneses no Brasil até a nossa trajetória para fazer o caminho contrário e chegar na Polônia. Orgulho foi o sentimento que tomou conta nessa hora”, recorda Iris.

Outros momentos também trouxeram emoções diversas e marcaram a lembrança integrantes. O orgulho também apareceu quando o nome do Karolinka foi anunciado juntamente com a sua cidade de origem. “Quando leram o nosso histórico em polonês e falaram: Karolinka de São Mateus do Sul, estado do Paraná, Brasil. Foi tanta emoção que registrei esse momento com detalhes na memória! Durante nossa primeira apresentação no festival, vi poloneses idosos chorando. Vária coisas passaram na minha cabeça nessa hora, tentando adivinhar o que eles sentiam ao ver tantos países representando a Polônia por meio do folclore”, reflete Iris.

“Era uma mistura de emoções dentro de mim que eu não sabia explicar, olhei ao meu redor e todos estavam comemorando, foi aí que não aguentei e coloquei para fora toda aquela emoção em forma de choro. Choro de alegria em ver que os nossos sonhos tinham se tornado realidade, alegria de representar nossa cultura e também os amigos que infelizmente não puderam ir, poder honrar todos que tornaram esse sonho possível e a minha família que me apoiou”, conta a dançarina Karen Oliveira.

 

Presente de aniversário

A realização deste sonho que há muito tempo acompanhava o Karolinka exigiu muito trabalho e mobilização, tanto dos integrantes do grupo, quanto de outros são-mateuenses que se uniram em prol do grupo. Além de tudo, apoio dos pais dos integrantes foi essencial.

Lucrécia, mãe da Karen, declara ter vivido um misto de emoções. Se, por um lado, a mãe ficou com o coração na mão de ver a filha viajando sozinha, por outro, havia a satisfação em ver a filha realizando mais um sonho. “Assistir à apresentação deles foi muita emoção, porque antes era um pensamento distante. Ela pode conhecer várias culturas diferentes e se apresentar para pessoas de todos os lugares do mundo”, declara Lucrécia.

Mas, para tornar o sonho realidade, as jovens dançarinas também tiveram de fazer alguns sacrifícios, já que cada integrante arcou com os custos da passagem, inscrição no festival e gastos pessoais na viagem.  Karen e outras quatro amigas decidiram trocar suas festas de aniversário de 15 anos que aconteceriam este ano pela viagem à Polônia.

“Valeu muita a pena, pois era o meu sonho de criança e eu não abriria mão dessa oportunidade. Eu me dei conta do tamanho dessa viajem quando nos apresentamos no festival de Rzeszów. Quando pisei no palco percebi que tudo o que eu tinha passado para chegar até ali tinha valido a pena!”, avalia Karen.

O sentimento é compartilhado pela dançarina Ellen Caroline Balestreri que também comemorou os 15 anos com a turnê do Karolinka.  “Eu não poderia ter feito escolha melhor! Tudo o que vivi nessa viagem foi mágico, um aprendizado para a vida inteira. Dançar na Polônia danças brasileiras e polonesas, ver as pessoas se emocionando após nossas apresentações, tirando fotos e nos parabenizando, foi incrível”, declara.

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Próximos passos

A primeira participação do Karolinka no festival foi um marco importante na trajetória do grupo, fundado em 1992. Mas, a intensa troca de experiências e o intercâmbio cultural faz com que a equipe tenha ainda mais desejo de inovar e continuar proporcionando cultura para os são-mateuenses.

“O Karolinka oferece várias atividades. Além da dança, temos o coral e as aulas de polonês, além de oficinas de artesanato e de culinária que já foram oferecidas gratuitamente. O que nós queremos é que cada vez mais pessoas façam parte do nosso grupo, que se interessem pela cultura, pela língua, pela história polonesa”, destaca a coordenadora Iris Janoski.

Entre os sonhos para o futuro estão o retorno ao Festival de Rzeszów para mostrar ainda mais da cultura brasileira aos poloneses; a realização de outras Mostras de Folclore recebendo grupos poloneses em São Mateus do Sul e o contínuo desenvolvimento do grupo como instituição.

“Nós sonhamos com nossa sede própria, que ofereça uma estrutura adequada para ensaios, aulas e oficinas. Que seja um espaço adequado para conservar os trajes do grupo e que possa receber apresentações para o público são-mateuense. Existe até um projeto arquitetônico de um Centro Cultural para o Karolinka, desenvolvido pelo nosso coreógrafo Rafael. Quem sabe a gente possa trilhar agora o caminho que nos leve à realização de mais esse sonho ”, reflete Iris.